4 de dez. de 2011

Reeducar o paladar

Nestes últimos meses andei a reeducar o meu paladar. Sim, o meu cérebro não há-de ser mais teimoso do que eu e acho bem possível que lhe comece a apetecer uma pratalhada de couves em vez de uma tarte de maçã, por exemplo! E quem me conhece sabe que eu adoro couves e tudo o que é verde!

Na verdade, nunca me deu assim grande tonteira por coisas muito doces mas a fruta era o meu ponto fraco. E a seguir a uma peça de fruta vinha outra...e depois da segunda vinha um apetite por qualquer coisa doce que normalmente ia de gelatina ou chocolate preto com 80% de cacau. Quando comecei a reparar que quanto menos coisas doces comia, menos apetite tinha por elas e que bastava uma colherzinha de adoçante num chá para reverter o processo, não dei tréguas aos meus (estimados) neurónios.

Numa de fazer uma experiência, tirei a fruta, as gelatinas, os adoçantes, os chocolates pretos 80% de cacau e tudo o que é doce da minha alimentação. Nem me custou assim tanto porque foi gradual: no início permitia-me uma toranjazita, um iogurte magro com sabor, um iogurte grego 0% com cacau magro em pó e nos dias mais chatos um quadradito de chocolate 80%. Andei desde Setembro a habituar-me e no último mês ciclei os hidratos de carbono: 3 dias com poucos hidratos e um dia com hidratos à fartazana (mas tudo à base de coisas integrais e pouco açúcar, uma ou outra peça de fruta). O resultado é surpreendente: sinto muito mais o sabor da comida e tenho as papilas gustativas tão sensíveis que até consigo achar os cajús e as nozes doces, enjoar-me com o sabor doce da cenoura cozida ou comer uma pratalhada de couves cozidas como se fosse a maior pratalhada de aveia e banana do mundo!

Em termos de energia estou óptima, em termos de cabelo e unhas podia estar melhor (mas também nunca fui grande coisa) e em termos de banha da cobra o resultado foi bom, muito obrigado!

Com isto conquistei várias coisas:

1) Melhor regulação da minha glicémia: nunca mais tive aquelas crises de hipoglicémia que tinha dantes (e eu nunca comi pouco, note-se. Comia "mal"- abusava em produtos refinados, tipo barras de cereais, bolachas Maria, tostas, que me cansavam o pâncreas!)
2) Acabei com a sensação de "falta aqui qualquer coisinha" que me aparecia frequentemente depois do jantar (e acabava por descarregar na fruta, para não descarregar em coisas piores)
3) Mais energia, principalmente de manhã (e se vos disser que o meu pequeno almoço não tem pão nem cereais talvez não acreditem)
4) Entrei numas calças que estavam aqui postas de lado (estas coisas nunca acontecem sem nenhuma intenção por trás, não é verdade?!) e sem perder a minha tão suada massa muscular (acho que até ganhei, mas não é certo!).

Aqui seguem algumas fotos com as minhas refeições. Já sabem que sou uma bruta a empratar (mas também não faço por melhorar isso)! Esta foi a saga desde Setembro até agora, com as primeiras fotos com mais hidratos de carbono, à medida que fui diminuindo até Dezembro.


Hamburgueres de perú grelhados com beringela refogada e grão cozido
As minhas eternas claras de ovo com canela
Coxa de frango no wok com legumes (alho francês), quinoa cozida, grão cozido e salada
Truta salmonada com legumes e laranja no forno

Bife de atum grelhado (com mostarda), couve ripada e salada
Bife de frango grelhado (com mostarda), couve-flor e salada

Daqui para a frente vou continuar nesta onda, mas adiciono um pouco mais de hidratos de carbono! Entretanto tenho de actualizar a foto da cozinheira que está ali ao lado, porque aquele bracinho está mais compostinho, ich allah!

1 de dez. de 2011

Bacalhau de consoada no forno




Este é o protótipo do nosso bacalhau de consoada deste ano. Todos os anos é a mesma coisa: bacalhau cozido com batatas, couves, bróculos, couve-flor, grelos, caras de bacalhau e ovos, alho para quem gosta...e já estamos fartos de ser sempre o mesmo! Dada a quantidade de boas cozinheiras na nossa mesa de 13 (na verdade duas mesas...há sempre os mais agoirentos que não gostam deste número) não se justifica que a receita não seja inovada!

Mantendo a tradição, com o bacalhau do avô, as couves da mãe e os ovos das galinhas nossas co-habitantes, esta semana saiu esta invenção. Há que dar os merecidos louros à senhora minha mãe por esta ideia genial!

Muito boa, visualmente mais interessante que uma travessa de grelos e uma travessa de bacalhau, apelativa até para as crianças (julgo eu...quem não gosta de couves tira só a parte de cima, pronto, a prima Catarina come!)...só falta testar um pormenor: como ficaria com broa de milho picada com alho e disposta entre as fatias de ovo, antes de gratinar? Fica a sugestão!

Rende: 2 porções (brutos, é verdade!)
Tempo: 40 minutos (15 de manobras e o resto de forno e cozedura)
Calorias: 370 kcal

Ingredientes:
  • 1 posta boa de bacalhau (dá uns 200 g de bacalhau cozido)
  • 2 batatas doces médias
  • couve galega (muita. Deu umas 4 chávenas cheias de couve ripada)
  • 4 dentes de alho
  • 3 cebolas
  • 1 folha de louro
  • orégãos, sal, malagueta seca
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • vinagre
Preparação:
  1. Lavar a couve e ripá-la bem fininha. Descascar as batatas e cortar em rodelas. Lavar os ovos.
  2. Cozer tudo (não usei sal...o bacalhau já é salgado...e depois coloquei sal no refogado de cebola). Usei a bimby e meti o bacalhau no cesto, a couve e ovos na varoma e as batatas no andar de cima da varoma. Mas não é nada que não se faça com 3 tachos.
  3. Enquanto coze, fatiar as cebolas bem fininhas para um tacho. Juntar o restante alho fatiado, a malagueta seca fatiada bem fininha, o sal, o azeite e a pimenta. Deixar refogar em lume baixo, mexendo de vez em quando.
  4. Num tabuleiro refractário, colocar a couve ripada cozida no fundo, laminar três dentes de alho para cima e colocar as batatas doces cozidas meias esfareladas com os dedos por cima. Tirar pele e espinhas ao bacalhau e desfazê-lo grosseiramente para cima das batatas.
  5. Borrifar generosamente com vinagre (se for do agrado das visitas...ele há esquisitos!).
  6. Cobrir com a cebolada. Fatiar os ovos e dispo-los sobre a cebola.
  7. Vai ao forno alto pré-aquecido gratinar 15 minutos.

Espero que gostem!
Gente da minha família, é isto que vos espera este ano! Vão afiando o dente!

4 de nov. de 2011

Bolonhesa de perú low carb


Ontem cheguei a casa com uma fome de leão e precisava de tomar medidas rápidas! Tinha comprado carne de perú picada (no El Corte Inglés) e uns cogumelos e foi num instante enquanto fiz este prato.

Foi super confortante, quentinho com sabor a cravinho e piri-piri, com um molho não muito gordo e os cogumelos tenrinhos...precisava mesmo disto. Disto e de sofá, que veio logo a seguir. Também sou filha de Deus!

Ingredientes:
  • 1 covete de carne de perú picada
  • 2 tomates maduros
  • 2 colheres de sopa de polpa de tomate
  • 2 dentes de alho
  • meia cebola
  • 1 folha de louro, pimenta, cravinho em pó, cominhos, 1 piri-piri seco
  • 2 colheres de sopa de molho de soja
  • Manjericão seco
  • 1 covete de cogumelos laminados
  • Feijão verde
  • 1 colher e meia de sopa de azeite
Procedimento:
  1. Picar a cebola e o alho para um wok. Juntar o azeite e a folha de louro. Deixar refogar um pouco.
  2. Juntar o tomate picado em cubos, a polpa de tomate, a carne e temperar com o molho de soja, pimenta, piri-piri, cominhos e cravinho (só um pouco) e o manjericão seco (abusar aqui, para evitar ter de pôr muito sal).
  3. Tapar o wok (se for dos que têm tampa) e deixar cozinhar 10 minutos em lume médio. Juntar vinho branco se secar.
  4. Colocar um tacho com água ao lume. Cortar o feijão verde no sentido longitudinal. Quando a água ferver, colocar o feijão verde no tacho e deixar cozer 10 minutos. Escorrer de seguida.
  5. Destapar, juntar os cogumelos, deixar cozinhar até ficarem tenros.
Está feito! Simples e confortante!

13 de out. de 2011

Abóbora manteiga recheada com almôndegas de frango e cevada


Hoje houve jantarada no 4Patas! Para celebrar o Outono (ou por saudades dele) abri uma abóbora que estava aqui em trânsito! Andei a inspirar-me à procura de receitas e encontrei esta, que me cativou pelas cores e originalidade! Vou postar a receita adaptada por mim.

As almôndegas ficaram muito boas, nada secas e a cevada foi uma boa inovação cá em casa. Recomendo vivamente! É parecida com a espelta, mas mais gordinha e mais bonita.

Rende: 4 porções
Informação nutricional: 360 kcal cada porção

Ingredientes
  • 1 abóbora manteiga
  • Azeite, sal, pimenta, vinagre balsâmico
  • Ervas aromáticas frescas: salsa, sálvia, ...
  • Ervas aromáticas secas: alecrim, orégãos, manjericão
  • meio pimento vermelho
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • caldo de galinha caseiro (congelei água de cozer a galinha em covetes de fazer gelo e é só diluir em água)
  • 3/4 chávena de cevada
  • meio pote de iogurte grego 0%
  • 1 ovo XL
  • 3 fatias finas de pão integral
  • sumo de limão
  • mostarda
  • 50 g de queijo da ilha ralado (ou outro queijo de sabor intenso)
Procedimento:
  1. Lavar a abóbora, cortá-la ao meio longitudinalmente e vai ao forno médio meia hora.
  2. Retirar a polpa com uma colher e uma faca. Untar as metades com um pouco de azeite e vinagre balsâmico e vão ao forno novamente mais 10 minutos.
  3. Num tacho cozer a cevada no caldo de galinha.
  4. Numa picadora, juntar a carne, o pão partido em pedaços, o ovo, o iogurte grego, as ervas frescas e secas, o sumo de limão, a mostarda (bastante!) e o sal e picar tudo muito bem. Fazer bolinhas e colocar num tabuleiro. Vai ao forno meia hora ou até ficarem douradinhas (sem ficarem secas).
  5. No wok, colocar a cebola, o alho e o pimento picados, duas colheres de azeite e a folha de louro. Deixar refogar um pouco.
  6. Juntar a cevada cozida bem escorrida, a polpa da abóbora aos pedaços e as almôndegas de frango. Rectificar os temperos. Picar salsa e sálvia e misturar.
  7. Rechear as metades, polvilhar com queijo e gratinar no forno uns 5-7 minutos até o queijo derreter.
Está pronto! Digam que as cores não são lindas!

9 de out. de 2011

Arroz integral de chaputa e grelos

Três mini postinhas de chaputa no congelador e não saber o que lhes fazer dá nisto! "_Mãe, que faço à chaputa? _ Frita e faz um arrozinho de grelos! _ Oh, sabes bem que eu não frito cá em casa! _ Então faz assim: ...." E cá está ele! Quem provou nem sonhou que era arroz integral (depois de comentários do género agora deste em pássaro, foi?) , pois deixei-o cozer muito muito e sem medo (o arroz integral raramente vira massa de pedreiro como o arroz branco) e ficou muito suave, muito tenro, cheio do sabor do peixe e da malagueta.

O arroz integral deve ficar umas horas de molho (no mínimo 4 horas) e deve levar mais água na cozedura e cozer por mais tempo. Outro truque (que também faço de vez em quando) é ter o arroz já cozido sem sal e sem nada no frigorífico e espetá-lo no refogado assim. Deixa-se cozer mais um bocadinho (sem medo...empapado, garanto, não fica!), rectifica-se os temperos e está como se fosse cozido na hora.

Esta receita saíu muito bem (modéstia à parte) e as visitas adoraram! Não é o prato mais habitual cá em casa (sou uma naba com arroz e massa...e tudo com hidratos de carbono) mas vou repetir, de certeza!


Ingredientes:
  • 1 cebola
  • meio alho francês
  • meio pimento amarelo
  • 2 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • 1 piri-piri seco
  • salsa picada com fartura
  • 3 postinhas de chaputa deixadas em bastante sal umas horas no frigorífico
  • 3 chávenas de grelos escolhidos e lavados
  • sal
  • 1 colher de sopa de azeite
  • arroz integral já demolhado (ou já cozido, como preferirem)
  • vinho branco (mais ou menos meio copo)
  • 1 tomate maduro
  • polpa de tomaate (3 colheres de sopa +/-)
Preparação:
  1. Num tacho pequeno e alto, colocar água ao lume para cozer a chaputa.
  2. Num tacho de base larga, colocar a cebola e o alho picado, o piri-piri seco fatiado, a folha de louro e o azeite. Deixar refogar um pouco. Juntar o tomate aos cubos, o pimento picado e a polpa de tomate. Refogar mais um pouco com a tampa.
  3. Refrescar com o vinho branco e deixar evaporar em lume baixo.
  4. Quando a água do tacho pequeno ferver, colocar a chaputa (sem lavar o sal) e deixar cozer em lume baixo.
  5. Juntar os grelos ao tacho largo. Envolver e juntar um pouco de água da cozedura do peixe (retirar com uma caneca com cuidado do tacho que está ao lado. Se for preciso adiciona-se mais água a este tacho. Sempre água quente para não atrasar a cozedura do peixe).
  6. Quando os grelos estiverem mais tenros, junta-se o arroz e mais água da cozedura do peixe. Vai-se vigiando e juntando mais água, até o arroz estar muito bem cozido e o refogado bastante caldento.
  7. Tirar peles e espinhas e desfiar o peixe.
  8. Retirar do lume. Juntar o peixe desfiado e a salsa picada, envolver, deixar repousar um pouco (o caldo vai ser, a maior parte, absorvido; por isso é preferível deixar o arroz beeeem caldento).
  9. Vai à mesa! Acompanhem com uma salada!

7 de set. de 2011

Panquecas de batata doce com Apple Sauce

Aqui está uma ideia de utilização do puré de maçã! Foi o meu pequeno almoço hoje.

Tenho sempre em casa batata doce cozida.Foi só meter na Bimby (uma trituradora qualquer serve) e juntar os outros ingredientes.

Ingredientes:
  • 1 colher de sopa de farinha de aveia (ou aveia em flocos para quem tem Bimby. É só triturar na velocidade 7)
  • 1 colher de sopa de farinha de linhaça (ou as sementes para quem tem bimby)
  • 3 claras de ovo
  • 70 g de batata doce cozida (meia batata doce média)
  • 2 colheres de sopa de leite magro
  • Puré de maçã
Procedimento:
  1. Processar a batata doce até puré.
  2. Juntar a farinha de aveia, a farinha de linhaça e as claras. Envolver tudo.
  3. Juntar o leite e mexer bem
  4. Aquecer uma frigideira anti-aderente.
  5. Colocar montinhos de massa e espalhar com uma espátula.
  6. Virar 2 minutos depois.
  7. Servir com o puré de maçã.

6 de set. de 2011

Homemade Apple Sauce




Aqui está uma receita que fiz para aproveitar as maçãs do nosso jardim. São muito boas, ácidas, de um sabor que já não se encontra nas maçãs que se vendem por aí. As macieiras aqui de nossa casa são antigas, têm mais de 100 anos e dão maçãs de sabor genuíno!

Ultimamente tenho usado applesauce (que é como quem diz puré de maçã) nas minhas barras proteicas e em panquecas da manhã, iogurtes e batidos depois do treino. Compro os potes de puré de maçã para bebé sem açúcar. São baratos, com poucos conservantes e bons. Já que as maçãs são muitas e não há bocas para lhes dar despacho, foi tudo para o tacho cortado em quartos, Bimby abaixo e frasco com elas!
O puré aguenta-se uma semana no frigorífico. Se quiserem podem congelar.

Ingredientes:
  • Maçãs (biológicas, de preferência)
  • água
  • Canela em pó
  • Sumo de laranja
  • Sumo de limão
  • Casca de limão
  • Fruta seca (usei passas, manga e abacaxi secos)
Procedimento:
  1. Descascar as maçãs e cortar em quartos.
  2. Colocar num tacho largo juntamente com a casca de limão, os sumos de limão e laranja e a canela. Cobrir de água (só até à superfície das maçãs).
  3. Deixar cozer lentamente em lume baixo, com a tampa. Adicionar água se for necessário. A meio da cozedura colocar a fruta seca.
  4. Desligar o lume, triturar (ou passar com o garfo, se preferirem uma textura menos cremosa) e colocar em frascos de vidro.